


O Mundo dos negócios nunca foi tão complexo ou mudou tão rápido quanto atualmente. As mudanças podem ser creditadas a uma multiplicidade de fatores internos e externos às organizações. Internamente às organizações, fatores como o crescente papel da Tecnologia da Informação como habilitadora do negócio, o aumento da complexidade das relações de poder e comando nas organizações e o aumento no volume de informação disponível para a tomada de decisão contribuem para este quadro de complexidade. Externamente, pode - se destacar o papel da globalização, do aumento das pressões existentes na dinâmica competitiva em todos os setores e a crescente dependência do mercado financeiro para alavancagem do negócio como peças centrais deste quebra-cabeça de complexidade do ambiente de gestão.
Diante deste contexto, uma constatação forte é a de que os requisitos para a obtenção da vantagem competitiva no mercado se alteraram. Há um novo paradigma na gestão, que não está somente relacionado à eficiência operacional e a proteção de valor. Em um mundo onde o ciclo de vida das estratégias organizacionais está diminuindo vertiginosamente, o sucesso não pode estar ligado a fazer melhor hoje o que se fazia ontem. O novo paradigma está associado a produzir o justo equilíbrio entre a eficiência e a folga operacional, produzindo na organização a dupla capacidade de extrair o maior valor possível de seus recursos e de se adequar rapidamente aos novos cenários competitivos.
Quando se fala em complexidade do ambiente de gestão, refere-se à diversidade e a quantidade de interações possíveis entre as diversas variáveis que devem ser observadas para que o gestor possa tomar decisões consistentes sobre o seu negócio. Dentro deste novo paradigma competitivo e da complexidade do ambiente de gestão, pode-se destacar que as ferramentas tradicionais de gestão não são mais adequadas para o mundo em que vivemos. Neste contexto, o desafio da academia e de empresas de ponta passa, portanto, a ser o de produzir um corpo conceitual e de métodos que apóiem efetivamente a tomada de decisão frente a este novo cenário.
A chave para este dilema está em reconhecer que instrumentos de gestão como técnicas de BPM devem ser encarados pelas organizações como algo além de um conjunto de técnicas de intervenção momentânea. Estas técnicas devem ser encaradas como ferramentas poderosas que possuem a capacidade de produzir nas organizações uma maturidade de gestão diferenciada. Esta maturidade de gestão é alcançada através de uma sistemática sustentável, eficiente e fortalecida do ponto de vista técnico e cultural e estimula análises colaborativas do status quo e a criação de uma espiral contínua de inovação organizacional.
Neste sentido, a visão do Prof. Rosemann e seus colaboradores no artigo: “Projeto de Processos Context-Aware : Explorando os Motivadores Extrínsecos para a Flexibilidade em Processos” delimita uma pedra fundamental no esforço de produzir técnicas de gestão inovadoras e adequadas à complexidade do novo ambiente de gestão. A visão introduzida no artigo, que mostra como novas representações de processos podem auxiliar o projeto de uma operação verdadeiramente flexível, é inovadora e alinhada às necessidades atuais das organizações brasileiras. E como Gary Hamel afirma em seu mais recente livro: “A nova realidade do mundo em que vivemos exige novas capacitações organizacionais e gerenciais. Para sobreviver em um mundo crescentemente disruptivo, as empresas precisam se tornar adaptáveis estrategicamente e eficientes do ponto de vista operacional. Para obter novas vantagens competitivas, elas precisam se tornar propulsoras de inovações organizacionais.”.
Desta forma, o artigo do Prof. Rosemann possui grandes virtudes. A primeira delas é que ele delineia uma agenda de pesquisa e investigação estruturada que aponta para o desenvolvimento de técnicas de gestão de processo e de gestão em geral que estejam alinhadas ao novo paradigma de gestão, que cada vez mais se impõe a organizações brasileiras, em particular as que tem pretensão de se tornarem globais.
Em segundo lugar, o artigo apresenta com riqueza de detalhe técnicas de como inserir o conceito de flexibilidade em fluxogramas que resultam de esforços de modelagem de processos. Estas técnicas possuem um alto grau de aplicabilidade em pelo menos dois cenários vivenciados por muitas empresas de nosso país: processos que possuem execução distribuída (seja geograficamente ou entre diferentes agentes) e processos que possuem alto grau de contato com stakeholders externos (clientes, fornecedores, instituições regulatórias, etc.).
Para processos que são executados em diversos sites diferentes, as técnicas apresentadas no artigo possibilitam a delimitação de diretrizes mínimas de execução associadas à manutenção da adaptabilidade exigida por cada local, permitindo a conciliação do grau desejado de controle com as necessidades locais de flexibilidade. Isso contribui para a criação de um ambiente de difusão de melhores práticas entre processos de mesma natureza e de facilidade de adaptação a novas demandas.
Já para processos de alto volume e com contato de stakeholders externos, as técnicas apresentadas no artigo permitem um exercício organizacional estruturado do grau e da direção de flexibilidade que deve ser dada às atividades do processo caso determinadas variáveis de contexto se alterem.
Pelos motivos acima, o artigo em questão é uma leitura obrigatória para pessoas interessadas nos desafios de gestão que se apresentam a empresas brasileiras deste início de século.
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Artigo comentado por Daniel Karrer - daniel.karrer@elogroup.com.br
Possui graduação em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e mestrado em Engenharia de Produção pela COPPE/UFRJ. É Professor de Gestão de processos de negócios, gestão de riscos e Estratégia em cursos de curta e longa duração da COPPE/UFRJ. Possui certificado ITIL Foundations e eSCM.. Sócio-fundador do Elo Group, empresa especializada em gestão de riscos e gestão de processos. Como tal, coordenou projetos em grandes empresas nacionais dos setores de seguros; telecomunicações; finanças; mineração; petróleo e gás; construção; manufatura; varejo; petroquímica; biofármacos; propaganda e mídia; governo.
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