


O interessante artigo aborda o projeto de processos context-aware , trabalhando a noção de contexto, do que é contexto, exemplificando. Destaca a relevância de orientar ao contexto para a busca permanente pelo aumento da flexibilidade de adaptação dos processos e apresenta questões introdutórias relevantes à discussão, ligadas ou derivadas à BPM (Business Process Management).
Importante, busca conectar a questão do contexto à gestão de regras de negócio, afirmando “a regra de negócio r é uma função do contexto c [r=f(c)]”. Essa conexão é fundamental no alinhamento de negócio e TI, entendendo a TI presente, em maior ou menor nível, no suporte e habilitação dos processos de negócios. Como afirma GRAHAM (2007, p.9), um dos motivadores à implantação de um sistema de gestão de regras de negócio é a necessidade de resposta rápida às demandas por inovação e ao atendimento das pressões competitivas. Também destaca a crescente personalização dos serviços, do conteúdo (e interações crescentes com os clientes) e a regulação formal, governamental, ou aquela indireta ou informal (por exemplo, reflexos da SOx) como demandantes pela gestão das regras de negócio. Esses fatores alinhados ao fato de que os processos (e as regras de negócio a ele associadas), através da expansão da TI, atravessam a organização e a cadeia com acesso partilhado (pelos stakeholders) por múltiplos canais (voz, internet, etc.), tornando ainda mais complexos o cenário e o atendimento da demanda por flexibilidade.
Regulamentação formal, direta ou indireta; demanda por personalização e interatividade; inovações dos competidores e mudanças na sua forma de atuação (ação e reação); fatores naturais como mudanças meteorológicas e catástrofes ecológicas; entre outros; são exemplos de fatores normalmente/ notadamente exógenos que afetam o desempenho dos processos de negócios. Conformam ou limitam o contexto da realização destes. E o desempenho das organizações que os realizam, isoladas ou, cada vez mais, integradas (em algum grau).
Parece relevante, pois, a discussão de como pensar processos sensíveis e adaptáveis ao contexto.
Para haver essa sensibilidade e posterior reação, com precisão, monitorar bem o contexto é ponto central, primário. Uma das principais características do contexto talvez seja o fato de que ele está, em geral, fora do alcance de controle (ao menos direto, pode estar em algum grau por ‘influência’ indireta) da organização(ões). Isso remete à teoria de controle. Ao se monitorar o contexto, variáveis de carga do sistema, busca-se antecipar a demanda por adaptação, que requer flexibilidade, um controle antecipado.
Pensando em ‘tradicionais’ sistemas de gestão por indicadores de desempenho, a noção de contexto pode caracterizar aquele conjunto de variáveis, usualmente externas à organização (ou organizações em tela), que conformam ou limitam as possibilidades de desempenho e/ou informam (o citado ‘disparador extrínseco’) as necessidades de adaptação ou formas de reação (por exemplo, uma demanda por inovação de produto e de processos) com reflexos na forma de operação. As variáveis de contexto poderiam compor um scorecard em um sistema de gestão por indicadores de desempenho (KAPLAN e NORTON, 1997)? Isso conecta com a discussão de sistemas de BAM – Business Activity Monitoring e de Dashboard (pex., vide BusinessObject www.businessobjects.com)
Reagir rápido e de forma precisa, a partir desse monitoramento antecipado, em tempo (quase) real, das variáveis que afetam organização, requer poder adaptar processos, suas regras de negócio, adaptar sua ‘função transferência’ em busca do melhor desempenho. Essa adaptação demanda flexibilidade e permite conectar, entre outras, com a discussão de mineração de processos (citada: “que descubram, usem e aprendam com as mudanças no contexto de processos de forma inteligente”), sistemas CEP – Complex Event Processing (vide http://en.wikipedia.org/wiki/Complex_Event_Processing e SAP, http://www.sap.com/platform/soa/index.epx). A discussão de adaptação e de tempo de resposta de processos flexíveis ‘chamando’ a de componentização de processos e de sistemas, de acesso e reutilização de componentes e a de necessidade de sistemas com acoplamento frouxo e amarração dinâmica (CHAPPEL, 2005; KAYE, 2003).
Entendido o contexto como condicionador do desempenho dos processos, requeridos adaptáveis, algumas questões:
- Vale definir flexibilidade, neste/ para este ‘contexto’?
- Quais são as características, chamadas ‘facetas’ no texto, de um contexto, que devem ser consideradas para auxiliar à definição de o que ou como monitorar; quais as variáveis que definem o contexto, para um dado conjunto de processos de negócio (‘as capacidades de monitoração’ citadas)?
- Como conceber/ identificar e gerir regras de negócio? Como representar, na fase de projeto/ concepção, as regras de negócio de um processo e o a relação com as variáveis de contexto? Ferramentas e métodos?
- Como conectar os sistemas tradicionais de indicadores de desempenho à monitoração do contexto?
- Como as metodologias de desenvolvimento de sistemas, em particular as etapas afetas ao levantamento e análise de requisitos são afetadas, como devem ser trabalhadas/ desenvolvidas?
- Como as tecnologias emergentes (CEP, ligadas às técnicas IA – Inteligência Artificial, aplicadas com SOA) podem apoiar essa adaptação? Qual a efetividade do estágio atual da tecnologia? O que é viável desde já? Como viabilizar? O que ‘diz’ a sensibilidade tecnológica?
- Como tratar o trade-off adaptação x estabilidade de processos? Em derivada, até onde vai a capacidade de cognição dos stakeholders de um conjunto de processos afetados à mudança potencialmente permanente?
- A adaptação facilitada dos sistemas de informação que suportam ou viabilizam os processos de negócio parece um horizonte possível. Quais desafios a mais demandam para a plena adaptação? A adequação da estratégia, objetivos, máquinas/ equipamentos/ ferramental no chão-de-fábrica, roteiros e rotinas de produção, fluxos de materiais, competências, contratos, negociação, relacionamentos, gestão da mudança seguirá/ tem/ terá estágio tecnológico/ metodológico/ etc. para seguir o mesmo ‘ritmo’?
- Há limite para a adaptação? A adaptabilidade plena é possível?
Referências bibliográficas:
BIEBERSTEIN, N.; BOSE, S.; FIAMMANTE, M.; JONES, K.; SHAH, R., 2006, Service-Oriented Architecture Compass: business value, planning, and enterprise roadmap. Upper Saddle River, NJ: IBM Press - DeveloperWorks Series, Prentice Hall, 1ST Ed., 232p.
CHAPPELL, D. A., 2004, Enterprise Service Bus. Sebastopol, CA: O´Reilly Media, 1st Ed, 247p.
ERL, T., 2005, Service Oriented Architecture: concepts, technology and design. Upper Saddle River, NJ, 1st Ed., 760p.
GRAHAM, I., 2007, Business Riles Management and Service Oriented Achitecture. West Sussex, England: John Wiley & Sons Ltd., 1st Ed., 274p.
KAPLAN, R. S.; NORTON, D. P., 1997, A Estratégia em Ação: balanced scorecard. 4. ed. Rio de Janeiro: Campus.
KAYE, D., 2003, Loosely Coupled: the missing pieces of web services. USA: RDS Press, 1st Ed, 336p.
KRAFZIG, D.; BANKE, K.; SLAMA, D., 2005, Enterprise SOA – Sevice-Oriented Architecture Best Pratices. Uper Saddle River: Prentice Hall, 1st Ed., 382p.
![]()
Artigo comentado por Renato F. Cameira - cameira@gpi.ufrj.br
Possui graduação em Eng. Eletrotécnica - ênfase Sistemas Eletrônicos pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1991), mestrado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1996) e doutorado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2003). Também técnico em Eletrônica pelo CEFET CSF RJ (1986). Atualmente é professor adjunto e Diretor Adjunto de Desenvolvimento e Extensão da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Tem experiência com ênfase na aplicação da Tecnologia da Informação às organizações, decorrente da formação em Eletrônica como Técnico e Engenheiro e na pós graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) em Engenharia de Produção. Atua principalmente nos seguintes temas: Tecnologia da Informação (Sistemas integrados de Gestão, Arquitetura Orientada a Serviços, etc.), Engenharia de Processos de Negócios e na coordenação de atividades de ensino e extensão.
![]()
![]()