Introdução


A noção de flexibilidade surgiu recentemente como um estudo pontual no contexto de Business Process Management (BPM)[1, 2]. A busca por flexibilidade está vinculada à necessidade das organizações de se adaptarem a mudanças freqüentes e sem precedentes em seus ambientes. Tais perturbações na rotina de seus negócios devem estar refletidas nos processos de negócio, no sentido de que os processos devem estar aptos a se adaptar a tais alterações. Flexibilidade em processos de negócio é a capacidade de se adaptar a mudanças externas através de alteração apenas onde a mudança afeta o processo, deixando o resto intocado, ou seja, a habilidade de alterar um processo sem substituí-lo por completo [1-3]. Desse modo, flexibilidade em processos consiste em um disparador extrínseco para mudanças e mecanismos para alteração intrínseca ao processo .

Recentemente, reuniu-se um número significativo de esforços com pesquisas na área de flexibilidade em processos, abordando, majoritariamente, a criação de modelos de processos “adaptáveis” ou “flexíveis” capazes de lidar com tais mudanças. Rosemann e van der Aalst[4], por exemplo, desenvolveram uma técnica de modelagem de processos que suporta adaptabilidade através da extensão de uma linguagem de modelagem com pontos de variação; e Schmidt [5] sugeriu uma abordagem que promove a flexibilidade em processos utilizando-se de web services . Reinhartz-Berger, Soffer e Sturm [6] abordaram a adaptações de modelos de processos via reutilização específica3, enquanto Narendra [7] introduziu um método de apoio e manutenção de workflows adaptáveis. No que tange a trabalhos empíricos neste campo, Olsson e Henfridsson [8] desenvolveram e testaram diretrizes de projeto para aplicações interativas context-aware.

Comum a esse grupo de pesquisa é a busca de meios intrínsecos de adaptação ou modificação dos processos de negócios. No entanto, os verdadeiros direcionadores para flexibilidade ainda não foram discutidos por completo. Como conseqüência, as técnicas de modelagem atuais detectam apenas o lado reativo da flexibilidade em processos, e não o estímulo para a alteração. Entretanto, defendemos que é exatamente o estímulo para a alteração que deve ser levado em consideração. A motivação para uma crescente consideração do contexto em modelagem de processos é o fato de que este fornece uma forte relação causa-efeito entre as demandas por flexibilidade em processos e seus impactos em processos. Tal sensibilidade ao contexto promove o monitoramento do contexto relevante ao processo (como mudanças meteorológicas, alteração nos preços do concorrente etc.). A identificação precoce de mudanças no contexto, juntamente com conhecimento das alterações necessárias aos processos, leva a uma maior flexibilidade e menos tempo de reação.

O conseqüente desafio está em identificar, documentar e analisar os requisitos para a flexibilidade. A combinação de todos os cenários que impactam no projeto e execução do processo pode ser denominada contexto (ou situação) no qual o processo de negócio está inserido. Em poucas palavras, o contexto de um processo de negócios consiste de variáveis, as quais, quando alteradas, requerem que o processo de negócio se adapte ao novo cenário. Mas de que, exatamente, se constitui o contexto de um processo de negócio? Essa pergunta pode ser dividida em duas: 1) Que variáveis contextuais têm impacto no projeto e/ou execução do processo (por exemplo, local, mas não legislação); e 2) Como os diferentes valores assumidos por essas variáveis influenciam no projeto do processo e nas subseqüentes mudanças (por exemplo, um processo na França necessita de maior garantia de qualidade, enquanto o mesmo processo na Itália pode ser finalizado sem tal checagem)? Isso leva a pergunta de como o contexto de um processo de negócio pode ser conceituado. Além disso, como os processos podem ser elaborados de forma a aderir a certos valores contextuais (“design for context”)? Subsumimos essas e outras perguntas à noção de processos de negócios sensíveis ao contexto.

Esse artigo busca discutir o conceito de contexto de processos de negócio e suas características. Em particular, buscamos identificar e discutir desafios na pesquisa relacionada ao desenvolvimento de projeto de processos context-aware . Procederemos da seguinte forma: na Seção 2, apresentaremos um caso para salientar a necessidade de sensibilidade ao contexto no projeto de processos de negócios. Após, na Seção 3, esboçaremos e discutiremos de forma breve tópicos de pesquisa que devem ser abordados para que se desenvolva uma maior compreensão dos requisitos do contexto para flexibilidade em processos. Sugerimos possíveis abordagens em relação a esses tópicos de pesquisa e recomendamos bibliografia julgada relevante. Fechamos na Seção 4 recapitulando os principais argumentos e apresentando um panorama para futuras pesquisas.



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3NT: no original,“reuse-by-specialization”