Abordagem de Pesquisa


Concepção do Estudo Delphi

A técnica escolhida para facilitar a coleta e consenso sobre as principais questões e desafios na modelagem de processos foi a técnica Delphi [7], uma abordagem de coleta de dados em várias rodadas. Estudos Delphi são úteis quando se procura por consenso entre especialistas, especialmente em situações em que existe uma falta de evidências empíricas [8]. A natureza anônima de um estudo Delphi pode gerar resultados criativos [9], reduzir problemas comuns encontrados em estudos que envolvam grandes grupos [8] e permitir uma maior participação devido à redução dos limites geográficos [10]. No caso do nosso estudo, a técnica Delphi é adequada por três razões principais:

1. Facilita a obtenção de consenso entre especialistas sobre questões atuais e desafios futuros da modelagem de processos (e suas definições);

2. Facilita a participação de um grande numero de especialistas, em um curto período de tempo, através de muitas fronteiras geográficas e fusos horários diferentes; e

3. Permite um alinhamento estreito com a área de aplicação geral da técnica Delphi, que é a previsão e identificação de questões.

Um dos principais determinantes do sucesso de um estudo Delphi é a seleção do painel de especialistas – isto é, os participantes do estudo [11]. Em vez de utilizar uma amostra estatística representativa da população-alvo, um estudo Delphi requer a seleção e a apreciação de especialistas qualificados que tenham profundo conhecimento do domínio ou fenômeno de interesse [10]. Além disso, é necessário considerar a agenda de interação com os participantes, a fim de se manter o trabalho dentro de um período de tempo relativamente curto para reduzir a ausência de respostas, e nos níveis acordados.

Seleção dos Participantes

Para compreender a percepção das questões e desafios futuros da modelagem de processos, é importante reconhecer diferentes stakeholders-chave. A natureza, ou criticidade, de qualquer questão de modelagem de processo pode variar consideravelmente, dependendo da perspectiva utilizada pelo respondente. Nós identificamos três grupos de stakeholders: primeiro, os profissionais de modelagem de processos, isto é, os analistas de negócio, projetistas de sistemas e outros profissionais que utilizam ativamente abordagens de modelagem de processos em suas organizações. Segundo, os vendedores de ferramentas e soluções de consultoria em modelagem de processos, prestando apoio aos usuários finais. Terceiro, os acadêmicos no domínio de modelagem de processos, que desenvolvem a próxima geração de artefatos de modelagem de processos e fornecem serviços educacionais.

Conhecendo estes três grupos, nós projetamos um estudo Delphi que foi realizado em três rodadas separadamente para cada dos grupos de stakeholders. O risco de ser incapaz de obter consenso entre participantes heterogêneos [12], foi, ainda, uma motivação a mais para dividir o estudo nos três grupos acima citados. Os convites foram feitos com base no conhecimento dos potenciais participantes. Para os acadêmicos, nós analisamos o comitê da série de conferências Business Process Management (www.bpm-conference.org), a mais importante conferência nesta área. O critério-chave de seleção foi o histórico de pesquisas relacionadas à modelagem de processos do membro do comitê. Para os vendedores, nós contatamos gestores-chave dos provedores líderes de ferramentas e metodologias, de acordo com atuais estudos de mercado [por exemplo, 13, 14]. Para os profissionais, nós contatamos os gestores de processos, e posições semelhantes, de grandes corporações internacionais, que a equipe de pesquisadores conhecia através de colaborações anteriores.

A respeito do tamanho apropriado do painel por grupos de especialistas, normalmente, taxas de envolvimento de 10 participantes são recomendadas [15] para superar vieses pessoais na busca por consenso. Buscando superar esta recomendação, em termos globais, convites para o estudo foram enviados a 134 especialistas selecionados cuidadosamente (40 profissionais, 34 vendedores de ferramentas e soluções, 60 pesquisadores), incluindo 11 convites baseados em referências de outros participantes convidados. Destes, inicialmente, 73 especialistas concordaram em participar, uma taxa de resposta de 54,48%. A Tabela 1 mostra as taxas de resposta em curso ao longo das três rodadas do estudo Delphi. Até a 3ª rodada do estudo, 62 especialistas estavam envolvidos, uma taxa de participação corrente de 84,93%.

Tabela 1 - Taxas de respostas ao longo de todas as rodadas do Estudo Delphi