Conhecimento & Insights > Wiki BPM >
IntroduçãoA partir do princípio de que “tudo que não é medido não é gerenciado” (KAPLAN & NORTON) e, ainda, “Não se gerencia o que não se mede” (DEMING, W. E.), um sistema de indicadores de desempenho se mostra bastante necessário para diagnosticar a situação presente e prever opções para a situação futura, colaborando para gerar ou manter uma vantagem competitiva. O uso efetivo de medidas de performance, como ferramenta de suporte à tomada de decisão e ao controle e planejamento gerencial/operacional, encontra aplicação em todas as funções do negócio, sendo parte fundamental do modelo de gestão de uma unidade organizacional.
No entanto, para gerir a performance do negócio não basta medir, é necessário transformar a medição em fonte de informação, e esta em facilitador às tomadas de decisão organizacionais.
Historicamente, importantes funções dos sistemas de medição de desempenho consistem no apoio ao conhecimento e identificação de pontos críticos que comprometam o desempenho, e em auxiliar no processo de implantação e gerenciamento das melhorias e mudanças.
Além disso, os mecanismos de medição de desempenho, monitoração de indicadores e outros ligados ao controle do negócio têm sofrido um processo de amadurecimento e incrementotecnológico que, ao mesmo tempo em que facilitou o acesso ao grande volume de informações, gerou confusões e divergências entre conceitos, metodologias, técnicas e tecnologias a serem aplicadas em cada realidade da organização.
Tornam-se cada dia mais comum manifestações como as seguintes:
|
“Nossos relatórios de gestão demoram muito tempo para serem produzidos” “Eu não tenho as informações necessárias para gerenciar o negócio de maneira efetiva” “Considerando a quantidade de dinheiro investido em Tecnologia da Informação, nos parece que temos muito mais do T do que do I” CEO, Anônimos |
Frente a este contexto, pode-se definir a Gestão de Performance como um conceito que envolve uma estrutura física e lógica, através das metodologias, pessoas, fluxo e armazenamento de informações e tecnologias que suportem os processos de planejamento, monitoração, análise e decisão.
A Gestão de Performance se estrutura a partir do alinhamento da medição de desempenho com outros importantes mecanismos de gestão, como planejamento estratégico, definição de orçamentos, análise de informações e eventos, definição de responsabilidade, dentre outros, tornando-se um motivador para a melhoria das tomadas de decisão para a gestão da organização.
“Performance Management consiste em um framework para gerenciar a execução da estratégia de uma organização. Define como planejamentos são traduzidos em resultados. Pense em Performance Management como um conceito amplo que integra metodologias consagradas de melhorias do negócio com tecnologia. (...) Compreende metodologias, métricas, processos, ferramentas e sistemas que gerenciem a performance de uma organização.” (Gary Cokins) |
Nesta forma de organização da gestão do negócio, líderes articulam de forma transparente a visão e direção da empresa, gestores desenvolvem planos locais/operacionais para desdobrar e implementar as definições estratégicas, além de monitorar e avaliar resultados e tendências, e funcionários melhoram seu entendimento de como suas atribuições e performance se relacionam com o sucesso da organização.
”Existe uma grande variedade de acrônimos que tentam definir a categoria de Performance Management. Discute-se sobre EPM (Enterprise), CPM (Corporate), BPM (Business), IPM (Integrated) e outros. No entanto, o que todas essas definições buscam transmitir é a idéia de um sistema de gestão operacional, que inclui pessoas, processos, ferramentas e informações, a fim de conectar a estratégia com a execução, otimizando recursos e retorno, e alinhar o que está acontecendo com os objetivos da organização.” (Business Foundation) “Não existe somente uma metodologia de Performance Management porque envolve desde o planejamento até os ciclos de controle. Performance Management não é um processo com etapas de uma receita ou um sistema informacional que você compra pronto em um disco. Representa a integração das diversas tomadas de decisão desconectadas na organização.” (Gary Cokins) |
![]()
O conteúdo da Tabela 1 teve como referência principal o livro “Business Process Change” de Paul Harmon.
Tabela 1 – Definições (FONTE: ELO Group)
| Termo | Definição |
Exemplo |
|---|---|---|
| Objetivos | Definem ações específicas que a organização deve executar para realizar sua estratégia. |
Crescer no mercado de pizzaria; Realizar entregas no prazo devido; Garantir a alta satisfação dos clientes |
| Metas | Quantificação dos objetivos da organização, desdobradas nos processos. |
Crescimento de 15% nas vendas do próximo ano; Redução de 10% nos custos da manufatura; Entregar 95% dos pedidos no prazo |
| KPI (Key Performance Indicator) | Medidas importantes do negócio que necessitam ser acompanhadas de perto e rigorosamente |
Tempo médio do ciclo do pedido à entrega; Quantidade de entregas por dia |
| Indicadores de Tendência (driver/leading) | Medidas de performance que informam sobre situações que podem estar relacionadas com os resultados desejados. |
Ingredientes em estoque; Tempo médio de entrega |
| Medidas internas | Definem os resultados alcançados por subprocessos ou atividades internas a um processo ou cadeia de valor da organização. |
Custo total médio de produção do produto; Quantidade de pizzas vendidas |
| Medidas externas | Definem os resultados alcançados por um processo ou cadeia de valor da organização. |
Medida de satisfação dos clientes; Medida de crescimento no mercado |
| Métricas | Medição de um atributo (propriedades ou característica) de uma determinada entidade. |
[Número total de pizzas preparas]/[tempo] |

Figura 1: Dimensões de um Sistema de Medição - Fonte: Adaptação de Rummler & Brache (1995) apud Ribeiro (2006)
A partir da Figura 1 é possível identificar o posicionamento da maioria das definições expostas na Tabela 1 dentro de uma organização. Conforme ilustrado, na parte superior, há representação dos macroprocessos (Cadeia de Valor) da empresa, evidenciando a estratégia e seus objetivos estratégicos atrelados. Detalhando o nível da organização, na parte inferior da figura, mostra-se uma visão mais tática e operacional, onde os processos são representados pelas diversas atividades que passam pelas diferentes funções da organização. Os objetivos estratégicos são desdobrados até a definição de metas que nortearão o desenvolvimento das atividades de determinado processo e funções. Representado como M2, estão evidenciados os pontos de medição e métricas para o processo, possibilitando a geração de dados e informações de tendências e resultados, a serem comparadas com as metas e objetivos previamente estabelecidos.
![Figura 2: Medidas de performance Fonte: Adaptado de Paul Harmon, 2006 [ C.2 ]](imagens/GP_figura2.jpg)
Figura 2: Medidas de performance Fonte: Adaptado de Paul Harmon, 2006 [ C.2 ]
A Figura 2 demonstra diferentes formas de medição a partir de indicadores de tendência ou resultado, assim como indicadores internos e externos aplicados ao mesmo exemplo do início deste tópico, de forma a facilitar o entendimento de como cada atividade e/ou processo pode ser avaliado e quais efeitos isto pode representar para o andamento da organização.
Facilitar o entendimento da execução e performance dos processos da organização e sua relação com os seus objetivos;
Expandir a visão essencialmente financeira do negócio, preocupando-se também com outras variáveis operacionais que impactam no mesmo;

Figura 3 – Quais são os tipos de indicadores mais adotados nas organizações? (FONTE: Sonax Group)
Estabelecer o entendimento de que os indicadores operacionais e KPIs devem ser definidos pontualmente para cada organização, de acordo com as suas necessidades (padronização, controle, certificação e/ou melhoria contínua), tendo como diretrizes os objetivos organizacionais;
Expor a necessidade de uma visão menos departamental (vertical) e mais processual (horizontal), atrelando a isto a definição dos indicadores em uma lógica de gestão por processos;
Reforçar a idéia de que o usuário é quem define quais informações e dados que precisa em determinado momento do processo, e não o grande volume de informações que deve definir e confundir o usuário, que não sabe para que fim cada dado serve;

Figura 4: Onde Analistas gastam seu tempo? (FONTE: Sonax Group)
Melhorar a definição de ownership e accountabilityna organização, determinando e explicitando os papéis e responsabilidades dos recursos de forma clara e bem definida. Possibilita uma conscientização da contribuição individual para o todo e embasamento nas tomadas de decisões;
Possibilitar maior transparência da operação nos processos;
Acompanhar as medições e controles de acordos de níveis de serviço;
Expandir as capacidades de acompanhamento do negócio, não restringindo a medição de dados históricos, mas também capacidade de realizar previsão de eventos (tempo real), assim como oportunidades;
Agilizar os processo da organização através de tomada de ações mais rápidas e, quando possível, automáticas;
Realizar análise consolidada da execução de processos de negócios que apóiem decisões pró-ativas de revisões de processos;
Definir a melhor opção para o trade-off entre precisão e acurácia da informação, respectivamente à demora e rapidez na geração de medições para a tomada de decisão;
Identificar pontos críticos que comprometam o desempenho (pontos de fraqueza) e que devam ser alvos de melhoria;
Auxiliar o processo de implementação e gerenciamento das melhorias e mudanças;
Obter parâmetros confiáveis para a comparação entre empresas e entre as áreas das empresas;
Possibilitar a coleta de experiências a fim de definir estratégias não previstas.