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Introdução


1.1 Contextualização

A partir dos anos 90 as empresas passaram a estruturar-se através da gestão por processos, buscando uma maior integração e eficiência de suas operações. A gestão por processos está calcada em modelos de processos e notações de processos. O primeiro representa a um conjunto de atividades que expressa um processo na empresa e o segundo seria a regra para a representação dessas das atividades no processo. Assim sendo, algumas empresas começaram a enxergar essa iniciativa de gestão por processo com uma boa oportunidade de mercado e começaram a prestar serviços em Business Process Management e softwares, criando seus próprios padrões de modelagem. Em conseqüência disso, o mercado passou a apresentar uma série de notações para modelagem, mas que representavam um grande problema para as organizações, já que não apresentavam uma linguagem comum na modelagem de seus processos. Este fato acabava por criar uma série de ruídos ao tentar integrar processos modelados em linguagens diferentes, já que notações diferentes dificultam a comparabilidade entre processos, além de inibir a utilização de modelos de referencia e benchmarking na melhoria dos processos.


O interesse atual na abordagem de notações e modelagem de processos fez com que inúmeras expectativas surgissem no mercado. Quer se trate de Business Process Reengineering (BPR), Business Process Management (BPM), Activity Based Costing (ABC), ou Business Activity Monitoring (BAM), a notação de processos e a sua modelagem participam cada uma destas abordagens. A chegada de padrões de modelagem já está resultando na racionalização de processos, criando uma base de conhecimentos que pode ser partilhada pelos players no mercado.


Dado esse cenário, começaram a surgir alguns grupos na tentativa de unificar as notações existentes. Em junho de 2005 foi criado o Business Modeling & Integration (BMI), Domain Task Force (DTF), através da fusão entre o Business Process Management Initiative (BPMI.org) e o Object Management Group™ (OMG™). Com essa união, alguns padrões de modelagem foram criados, sendo o Business Process Management Notation (BPMN) um dos mais importantes.

1.2 Definições

Para uma construção mais ampla e melhor entendimento dos conceitos apresentados, são explicitadas a seguir algumas definições sobre o assunto. Buscando um entendimento bastante claro, serão dados exemplos ilustrativos para cada definição.

Tabela 1 – Definições (FONTE: ELO Group)

Business Process Modeling (BPM)
“BPM é uma abordagem utilizada para identificar, desenhar, documentar, mensurar, monitorar e controlar tanto processo de negócios automatizados quanto não-automatizados com o objetivo de alcançar resultados que estejam alinhados com as metas estratégicas da organização”. ABPMP CBOK
Não aplicável
Modelo
“Um modelo pode ser entendido como uma representação explícita e externa de parte da realidade vista por pessoas que desejam usar o modelo para: entender, mudar, gerenciar e controlar esta parte da realidade de alguma forma.” Pidd (1999).
Desenho com a representação de uma rede hidráulica de uma casa
Modelo de Processo
“Modelo de processo é um conjunto de atividades envolvidas na criação de representações de um processo novo ou de um já existente”. ABPMP CBOK
Passo-a-passo de como se cozinha um arroz.
Notação de modelo de processos
“Conjunto de sinais com que se faz essa representação ou designação.” Dicionário Michaellis
BPMN, UML, IDEF

 

A figura a seguir exemplifica as definições apresentadas anteriormente:

Figura 1 – Princípio da modelagem de processo (FONTE: ELO Group)



1.3 Motivações e Benefícios Esperados

Segundo Vernadat ² apud Chaulhoub (2004), a modelagem de processos de negócios apresenta os seguintes benefícios e motivações:

“Representar como são realizadas as atividades dentro da empresa, possibilitando um melhor entendimento de como ela funciona;

Armazenar conhecimentos adquiridos e know-how organizacional para uma possível reutilização no futuro;

Racionalizar e assegurar os fluxos de informação;

Projetar/reprojetar e detalhar uma parte da empresa, contemplando aspectos funcionais, comportamentais, informacionais, organizacionais ou estruturais;

Analisar diferentes aspectos da empresa (análise econômica, organizacional etc.);

Possibilitar a realização de simulações;


Tomar melhores decisões em relação à organização e às operações empresariais;


Controlar, coordenar ou monitorar os processos empresariais”.

 

Segundo Rashid M. Khan, em seu artigo “What Standards Really Matter For BPM”, a modelagem e notação de processos podem trazer alguns benefícios para a organização, como por exemplo:

 

Promover o padrão de terminologias e definições dos processos de negócio. Isso acelera o entendimento dos processos, maximizando a sua compreensão e a capacidade de resposta rápida às necessidades dos clientes;


A utilização de uma linguagem padrão e amplamente utilizada pelo mercado permite às empresas desenvolver, manter e atualizar seus processos de forma mais simples e rápida;


Capacidade de integração entre processos de negócios que estejam modelados na mesma linguagem. Caso haja processos que estejam modelados em notações diferentes, a interação entre eles pode ser prejudicada;


Outro grande benefício da padronização de uma linguagem é a facilidade que as empresas têm de migrar de uma notação baseada em BPM para a outra. Se há uma insatisfação com algum tipo de linguagem específica, a organização pode adequar-se a outra que segue o mesmo padrão em BPM.


Ao facilitar a compreensão e auxiliar a navegação entre sistemas em BPM, este padrão irá reduzir os custos de realização dos processos e, assim, trazer vantagens para o consumidor final;


Algumas linguagens em BPM têm uma forte base matemática envolvida em sua estrutura. Assim, notações baseadas em cálculos, como o BPEL estruturado sobre o Pi Calculus, minimiza as chances de erros  se comparado a linguagens que não apresentam esse embasamento.